<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Eviscerado Anacrônico</title>
	<atom:link href="http://evisceradoanacronico.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Jan 2012 11:36:29 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='evisceradoanacronico.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Eviscerado Anacrônico</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://evisceradoanacronico.wordpress.com/osd.xml" title="Eviscerado Anacrônico" />
	<atom:link rel='hub' href='http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Palavrômetro de 2011</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2012/01/01/palavrometro-de-2011/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2012/01/01/palavrometro-de-2011/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 16:16:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=487</guid>
		<description><![CDATA[Resolvi mensurar o quanto eu produzi em 2011. Eis o que eu apurei nos meus arquivos: Em se tratando de ficção, escrevi 78.234 palavras, entre 12  contos e 3 noveletas, fora os fragmentos inacabados de outras histórias e um punhado de romances rascunhados. A maioria dos textos concluídos já foi publicada em 2011. Alguns sairão esse ano, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=487&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Resolvi mensurar o quanto eu produzi em 2011. Eis o que eu apurei nos meus arquivos:</p>
<p style="text-align:justify;">Em se tratando de ficção, escrevi <strong>78.234 palavras</strong>, entre <strong>12  contos</strong> e <strong>3 noveletas</strong>, fora os fragmentos inacabados de outras histórias e um punhado de romances rascunhados. A maioria dos textos concluídos já foi publicada em 2011. Alguns sairão esse ano, incluindo meu livro de contos.</p>
<p style="text-align:justify;">Em se tratando de não-ficção, comecei em Outubro o blog <strong><a href="http://resenhandocapas.wordpress.com/" target="_blank">Resenhando Capas</a></strong>, que já conta com <strong>21 posts</strong>, dos quais <strong>8</strong> são resenhas. Escrevendo trabalhos pra faculdade, foram modestas <strong>13.179 palavras</strong>. (É, na Escola de Artes a gente também escreve, não fica só desenhando o dia inteiro, não, galero).</p>
<p style="text-align:justify;">Agora em 2012 eu começo a escrever pra revista online de arte e cultura <strong><a href="http://obviousmag.org/" target="_blank">obvious</a></strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Em produção plástica, foram muitos desenhos e pinturas espalhados em diferentes suportes. Amadureci alguns aspectos do meu traço e comecei a achar meu estilo.</p>
<p style="text-align:justify;">Que 2012 venha com mais universos criados no teclado, no lápis e no pincel!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/487/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=487&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2012/01/01/palavrometro-de-2011/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Arte de Morgana Memphis e Amadahy</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/12/27/arte-de-morgana-memphis-e-amadahy/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/12/27/arte-de-morgana-memphis-e-amadahy/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 00:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Weird]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=476</guid>
		<description><![CDATA[As personagens Morgana Memphis e Amadahy apareceram pela primeira vez no conto &#8220;Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica&#8221;, publicado no Volume Vermelho d&#8217;A Fantástica Literatura Queer, da Tarja Editorial. Gostei tanto do que escrevi que antes mesmo de terminar aquela história, já pensava em escrever outras no mesmo universo. Ano que vem sai um pequeno [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=476&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">As personagens <strong>Morgana Memphis</strong> e <strong>Amadahy</strong> apareceram pela primeira vez no conto <strong>&#8220;Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica&#8221;,</strong> publicado no Volume Vermelho d&#8217;<strong>A Fantástica Literatura Queer</strong>, da <strong>Tarja Editorial</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Gostei tanto do que escrevi que antes mesmo de terminar aquela história, já pensava em escrever outras no mesmo universo. Ano que vem sai um pequeno conto  introspectivo no livro <strong>VII Demônios &#8211; Luxúria</strong>, da <strong>Editora Estronho</strong>, que narra um encontro inesperado e ambivalente da Morgana Memphis com uma ex-namorada que era baterista na sua antiga banda.</p>
<p style="text-align:justify;">Os planos para a personagem são ambiciosos, não incluem apenas contos, mas romances (aham, no plural) e quadrinhos. Só que pra isso eu precisava, antes de qualquer coisa, criar a &#8220;cara&#8221; das personagens. O resultado primordial vocês conferem abaixo (:</p>
<p><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/morgana.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-477" title="Morgana Memphis" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/morgana.jpg?w=535&#038;h=878" alt="" width="535" height="878" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Primeiro a protagonista-mor, Morgana Memphis.</p>
<p style="text-align:justify;">Algo que eu ainda não revelei em nenhuma história, mas que será explicado em trabalhos futuros, é que a Morgana possui ascendência árabe. (Aliás, Morgana Memphis é seu nome artístico. O nome verdadeiro? Esperem as próximas aventuras pra saber.) Devido a isso, queria que os traços do rosto dela fossem grandes, arredondados. Lábios cheios, nariz redondo, sobrancelhas grossas. E cabelo ondulado e cheio. Os traços são sutis, obviamente, não dá pra reproduzir as feições típicas de um povo multicultural sem cair nos clichés. A inspiração principal partiu das feições de uma atriz chamada Lisa Ray, parte polonesa e parte indiana. E qualquer semelhança com a Ragged Robin, de <em>The Invisibles</em>, não é mera coincidência.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas por que ascendência árabe? Eu quero muito trabalhar a Questão Palestina (e o tanto de assunto que isso engloba). Mas de uma maneira diferente dos trabalhos que já existem por aí. Quero tratar disso no universo weird da Morgana, com o jeitinho anarcofeminista dela.</p>
<p style="text-align:justify;">E agora, a meio-índia cherokee Amadahy:</p>
<p><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/amadahy.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-479" title="Amadahy" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/amadahy.jpg?w=535&#038;h=825" alt="" width="535" height="825" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Provavelmente quem leu a história lembra que a Amadahy é descrita como possuindo tatuagens tribais pelo corpo. Não voltei atrás nisso, ela continua com as tatuagens, mas eu ainda estou experimentando os símbolos, por isso não desenhei as tattoos nessa ilustração. Não quero que seja algo ao acaso, quero algo que se relacione com o passado da personagem.</p>
<p style="text-align:justify;">Os traços da personagem são mais retos e quadradões que os da Morgana. Ela é mais magrinha também. Nariz fino, um pouquinho arrebitado, e lábios pequenos.</p>
<p style="text-align:justify;">Amadahy é uma humana metade de ascendência cherokee e metade reconstruída a partir de engenharia biotemporal. O que infernos isso significa? Calma, calma, tudo será explicado a seu tempo. Mas ela é uma meio-cherokee atípica. O enorme cocar que ela tanto gosta não costumava ser usado pelos cherokees, que preferiam adereços mais parecidos com os moicanos. (Futuramente ela vai mudar pra esse look mais agressivo). E o povo cherokee também não andava seminu por aí. Mas vamos combinar que se hoje em dia o calor já é venusiano, calculem a bolha de magma que vai ser no futuro.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem, por enquanto é isso. Espero que tenham gostado das ilustrações.</p>
<p style="text-align:justify;">No <strong>Metanfetaedro</strong>, meu livro de contos (new) weird que vai ser lançado ano que vem pela <strong>Tarja</strong>, terá mais uma história da Morgana pra vocês se divertirem.</p>
<p style="text-align:justify;">Até lá!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/476/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=476&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/12/27/arte-de-morgana-memphis-e-amadahy/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/morgana.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Morgana Memphis</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/12/amadahy.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Amadahy</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Meu eletroencefalograma é uma pintura de Pollock</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/24/meu-eletroencefalograma-e-uma-pintura-de-pollock/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/24/meu-eletroencefalograma-e-uma-pintura-de-pollock/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 10:20:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=465</guid>
		<description><![CDATA[Nós duas sentadas no chão do segundo andar. O teto do atelier lá no alto, listrado de céu. Final da aula mais lúdica que já provei. Desenhávamos. Apenas o ruído do grafite rabiscando o papel. Pernas à mostra. Paz. Cheiro de misturas de tinta gotejando nos cavaletes lá embaixo. E um senso quase tangível de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=465&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/11/pollock-lavender-mist.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-471" title="pollock.lavender-mist" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/11/pollock-lavender-mist.jpg?w=535&#038;h=395" alt="" width="535" height="395" /></a></p>
<p>Nós duas sentadas no chão do segundo andar. O teto do atelier lá no alto, listrado de céu. Final da aula mais lúdica que já provei. Desenhávamos. Apenas o ruído do grafite rabiscando o papel. Pernas à mostra.</p>
<p>Paz.</p>
<p>Cheiro de misturas de tinta gotejando nos cavaletes lá embaixo.</p>
<p>E um senso quase tangível de possibilidade.</p>
<p>Contemplafantasiação.</p>
<p>Neologizando sem concretizar. Mas incitando. Experiência estética. Pra lá de Platão, Aristóteles, Kant, Hegel e Maurice Blanchot.</p>
<p>A palavra nasceu do encontro da minha percepção fantasiada com seu corpo. Depois eu roubei e usei sem pedir licença. A palavra, não seu corpo. Diluí o significado primordial, que se dissolveu e evaporou.</p>
<p>Criações tem desses caprichos. Desenvolvem-se sozinhas. Uma vez descarnadas do artista, entregam-se aos subjetivismos do observador.</p>
<p>Teorias.</p>
<p>Prefiro a transfiguração.</p>
<p>E a problemática insolúvel da inquietação de meu expressionismo abstrato mental.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/465/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=465&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/24/meu-eletroencefalograma-e-uma-pintura-de-pollock/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/11/pollock-lavender-mist.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">pollock.lavender-mist</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Dia da Consciência Negra &#8211; Preconceitos velados</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/20/dia-da-consciencia-negra-preconceitos-velados/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/20/dia-da-consciencia-negra-preconceitos-velados/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 21:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[chicas]]></category>
		<category><![CDATA[dia da consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[mente e cérebro]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito racial]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito velado]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=461</guid>
		<description><![CDATA[&#8220;Não há nada mais doloroso para mim nesta fase de minha vida do que caminhar pela rua, ouvir passos e começar a pensar em um possível assalto; depois olhar à volta, ver uma pessoa branca e me sentir aliviado&#8221;. A frase é de Jesse Jackson, um ativista político americano. Lembro de ter lido isso numa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=461&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>&#8220;Não há nada mais doloroso para mim nesta fase de minha vida do que caminhar pela rua, ouvir passos e começar a pensar em um possível assalto; depois olhar à volta, ver uma pessoa branca e me sentir aliviado&#8221;</em>. A frase é de Jesse Jackson, um ativista político americano. Lembro de ter lido isso numa matéria da <strong>Mente &amp; Cérebro (Ano XVI, nº 196)</strong> sobre preconceitos velados, aquelas convicções automáticas resultado de associações que nosso cérebro faz baseado em estereótipos históricos e sociais. Quem não possui um preconceitozinho involuntário sequer que atire a primeira pedra de crack.</p>
<p style="text-align:justify;">A matéria da revista diz que &#8220;<em>estudos mostram que certos cenários sociais podem ativar estereótipos e atitudes implícitas que influenciam nossas percepções, juízos e comportamentos, como a escolha de amigos, a contratação de empregados e, no caso de profissionais da saúde, como médicos ou psicólogos, o tratamento a ser dispensado</em>&#8220;.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto todo mundo discute o preconceito aberto e explícito, o racismo violento e covarde, vejo poucas pessoas discutindo essa outra forma de preconceito, tão perigosa quanto. É nesse limiar confuso e cheio de camadas que se encontram os que não querem ser preconceituosos e lutam contra as crenças implícitas em sua bagagem cultural e educacional, e aqueles que não se dizem preconceituosos, mas perpetuam ideias preconceituosas. O famoso é viado, <em>mas</em> é meu amigo. Ou é preto, <em>mas</em> é honesto.</p>
<p style="text-align:justify;">Se a pobreza no Brasil tem cor (e também gênero, idade e localização geográfica), a culpa é da cor? Há quem acredite que sim. É o mesmo tipo de pensamento que associa a falta de mulheres no campo científico não por motivos históricos e culturais que excluíam (e ainda excluem) o gênero feminino de uma área considerada masculina, mas pelo simples fato delas serem mulheres! O pensamento de que mulheres são intelectualmente inferiores aos homens. A mesma lógica infundada que rege o pensamento de que negros são naturalmente violentos e criminosos.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos esses estereótipos contribuem para o fortalecimento do preconceito velado, e pequenas atitudes que podem parecer inofensivas, como piadas e comentários ofensivos, só fazem engrossar essas crenças. Imaginem como deve ser para uma criança negra. Já não basta a menina ser bombardeada pela mídia com a ideia de que o cabelo dela é ruim e que o certo é ser uma mulher branca magra-quase-esquelética de olhos claros e cabelo loiro-ultra-liso, sem voz e sem opinião, submissa e sexualmente conservadora, sem poder ou controle sobre o próprio corpo ou a própria vida, a criança ainda é obrigada a ouvir piadas racistas no colégio e se não rir junto dos coleguinhas ainda é deixada de lado e tachada de sem senso de humor. (Opa, ouvi alguém gritando patrulha ideológica e polícia do politicamente correto aí?).</p>
<p style="text-align:justify;">Já evitou sentar-se ao lado de um negro num ônibus ou metrô porque preferiu sentar-se ao lado de um branco? Já atravessou a rua de noite porque viu alguém suspeito se aproximando, e esse alguém era negro? Já se espantou ao ver um gari branco? Já parou pra pensar por que quase ninguém quer adotar crianças negras? Já xingou alguém de “preto” e “crioulo”, mas nunca de “branco”? Negro pra você, se não for pobre e bandido é sinônimo de malandro, mulata e futebol?</p>
<p style="text-align:justify;">Questione-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Desconstrua.</p>
<p style="text-align:justify;">
<p style="text-align:justify;">Deixo um vídeo do grupo musical <em>Chicas</em> interpretando <em>Sorriso nos Lábios</em>, música genial de <em>Gonzaguinha</em>:</p>
<p style="text-align:justify;"> <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/20/dia-da-consciencia-negra-preconceitos-velados/"><img src="http://img.youtube.com/vi/Xd3tdMPAgcg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/461/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=461&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/11/20/dia-da-consciencia-negra-preconceitos-velados/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Resenha de &#8220;Steampunk &#8211; Histórias de um Passado Extraordinário&#8221;, da Tarja Editorial</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/resenha-de-steampunk-historias-de-um-passado-extraordinario-da-tarja-editorial/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/resenha-de-steampunk-historias-de-um-passado-extraordinario-da-tarja-editorial/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 20:39:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[alexandre lancaster]]></category>
		<category><![CDATA[antonio luiz m. c. costa]]></category>
		<category><![CDATA[claudio villa]]></category>
		<category><![CDATA[fábio fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[flávio medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[gianpaolo celli]]></category>
		<category><![CDATA[jacques barcia]]></category>
		<category><![CDATA[resenha]]></category>
		<category><![CDATA[roberto de sousa causo]]></category>
		<category><![CDATA[romeu martins]]></category>
		<category><![CDATA[steampunk]]></category>
		<category><![CDATA[tarja editorial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=450</guid>
		<description><![CDATA[O livro “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário” foi lançado pela Tarja Editorial em 2009 e reuniu uma excelente trupe de escritores. Como a obra já foi resenhada por vários blogueiros interwebz afora, minha resenha vai ser um pouquinho diferente do comum. Aquele típico resuminho explicativo sobre o conteúdo de cada história que vem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=450&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O livro <strong>“Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário”</strong> foi lançado pela <strong>Tarja Editorial</strong> em 2009 e reuniu uma excelente trupe de escritores. Como a obra já foi resenhada por vários blogueiros interwebz afora, minha resenha vai ser um pouquinho diferente do comum. Aquele típico resuminho explicativo sobre o conteúdo de cada história que vem antes das opiniões/críticas de cada resenhista não vai aparecer aqui. Se você tá chegando agora meio perdido nesse estranho mundo chamado fandom e não conhece nenhum dos contos desse livro <em>(shame on you!</em>), vai dar uma googlada por aí e se inteirar.</p>
<p style="text-align:justify;">Vamos começar pela capa, de Marcelo Tonidandel e Verena Peres. (Como já farei a resenha dos contos aqui, a resenha da capa vai ser bem breve e objetiva e não vai pro <a href="http://resenhandocapas.wordpress.com" target="_blank">Resenhando Capas</a>. Mas depois dá um pulinho lá e se inscreva pra receber as atualizações.)</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/steampunk-capa.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-451" title="steampunk.capa" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/steampunk-capa.jpg?w=535" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Começando pelas cores. O clássico café envelhecido oscilando entre tons de amarelo e marrom caiu bem. Cheira a antiguidade sem soar precário. O fundo manchado é bonito, porém a textura rugosa que aparece no topo e na base poderia ter sido mais bem trabalhada (ou até mesmo eliminada por outros padrões de mancha. Um papel enrugado seria mais adequado). O mesmo vale para a arte do título. As cores estão fortes e funcionam, mas a iluminação falhou. A máquina em destaque no canto inferior esquerda é o ponto alto. A nitidez detalhada do desenho em sépia escuro acinzentado formou uma combinação que poderia ter sido aproveitada para outras ilustrações, ou numa única ilustração central e mais detalhada ainda. É minha parte favorita da capa. Os três personagens no centro possuem traços suaves demais, como se alguém tivesse exagerado no esfuminho. O sombreamento parece desfocado. Faltou dureza. O dirigível no topo está bem feito e bem posicionado. No conjunto a capa funciona e vende o que promete, mas os detalhes mencionados poderiam ter sido melhor trabalhados.</p>
<p style="text-align:justify;">Agora vamos aos contos. Vou seguir a ordem que as histórias aparecem no livro, e dizer o que mais me chamou a atenção em cada uma.</p>
<p style="text-align:justify;">A primeira história é <strong>“O Assalto ao Trem Pagador”</strong>, do autor e organizador da coletânea <strong>Gianpaolo Celli</strong>. As descrições são detalhadas sem pecarem pelo excesso, o que é difícil de se alcançar num gênero tão visual e fashionista. Aliás, lembro da Lidia Zuin comentando no Twitter esses dias sobre o steampunk ter se afastado da literatura pra virar uma exposição de bugigangas. Concordo. Porém, nesse conto (e em toda a coletânea), vemos o que é o steam bem aproveitado na literatura. Diálogos muito bem construídos, que a mim pareceram o mais importante nessa narrativa e até ofuscaram a cena de ação retratando um conflito armado. O final da história é tão carismático quanto os protagonistas.</p>
<p style="text-align:justify;">O segundo conto do livro é de autoria de <strong>Fábio Fernandes</strong>. <strong>“Uma Breve História da Maquinidade”</strong> varre anos históricos e gerações com um ritmo na medida certa. O clássico desenvolvimento de uma tecnologia e suas implicações na sociedade aqui foram levados a outro patamar. Autômatos que se rebelam são muito mais interessantes que autômatos subservientes. E que delícia a parte onde as máquinas se juntam aos operários franceses na Comuna de Paris, pedindo igualdade de direitos, e se autodenominam Maquinidade. O final da história é agitado e revela uma ótima surpresa. Mais alguém acha que esse conto merece ser estendido, adaptado num roteiro e transformado em HQ?</p>
<p style="text-align:justify;">O próximo conto é <strong>“A Flor do Estrume”</strong>, de <strong>Antonio Luiz M. C. Costa</strong>. O que salta aos olhos aqui é quase que uma questão estética. Linguagem indígena e muitos matizes de cores de pele e etnias. É bom se deparar com essa diversidade num gênero que, em sua maioria, se enclausura na Europa. As referências são interessantes também. Brás Cubas e Quincas Borba dão o ar da graça. E essa personagem doutora Chel que eu sempre leio doutora Cher, gente? Sofro de dislexia queer, só pode&#8230; Gostei de como a ciência é retratada, instigante, ambivalente, humanista e louca por dinheiro. E falando em dinheiro, o final é divertidíssimo graças ao desespero do protagonista ao ver sua futura fortuna indo embora. Mas ele resolve a situação. Muito bem resolvida.</p>
<p style="text-align:justify;">Depois vem <strong>“A Música das Estrelas”</strong>, de <strong>Alexandre Lancaster</strong>, e a primeira coisa que você precisa saber sobre o conto é: pré-adolescentes inteligentes, espertos, sacanas e maliciosos. Sem falar numa simples, porém divertida, exploração de física e biologia básicas. Com direito a uma armadura robusta a la homem de ferro. A história começa meio fraca, mas depois que deslancha, só vai melhorando e melhorando. Curti bastante o resultado.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Roberto de Sousa Causo</strong> participa da coletânea com o conto <strong>“O Plano de Robida: <em>Un Voyage Extraordinaire</em>”</strong>. A história é muito bem escrita. A trama foi bem arquitetada e não deixa furos. A linguagem é excelente, mas no conjunto total, a narrativa me pareceu cansativa. Pode ser gosto pessoal. Militares me dão sono. O personagem que dá vida a Santos Dumont, porém, me cativou bastante.</p>
<p style="text-align:justify;">Em seguida vem <strong>“O Dobrão de Prata”</strong>, de <strong>Claudio Villa</strong>. Essa história puxa para o terror de maneira muito bem feita. E tem escafandros! Adoro escafandros! A narrativa é fluida. Parece que você tá numa taverna, bebendo uma caneca de qualquer coisa barata e ouvindo um velho lobo do mar meio bêbado contando suas histórias. Lendas de maldição envolvendo tesouros são sempre instigantes. E quem mais quando leu Insmouth pensou “<em>Cthulhu</em>!” dá aqui um high five!</p>
<p style="text-align:justify;">O próximo é o meu preferido da coletânea, <strong>“Uma vida possível atrás das barricadas”</strong>, de <strong>Jacques Barcia</strong>. E puxo a sardinha pro meu gênero favorito mesmo. Weird! Um casal formado por uma golem e um autômato, o quão inusitado e maravilhoso isso consegue ser? A história é envolvente e tem toda a textura sinestésica que o weird deve ter. A beleza decadente da cidade-máquina é revolucionária sem parecer caricata. E que ótima a passagem em que a golem precisa dar corda no marido autômato, lubrificando as engrenagens com manteiga ou banha de porco! Também é incrível o engenhoso experimento para fazer com que o casal possa ter um filho. Agora vou fazer um apelo público: JACQUES BARCIA Y U NO ESCREVENDO E PUBLICANDO WEIRD EM BOM E VELHO PORTUGUÊS?</p>
<p style="text-align:justify;">Em seguida vem o conto <strong>“Cidade Phantástica”</strong>, de <strong>Romeu Martins</strong>, que prova que Niterói só consegue ser um lugar interessante quando retratada numa ficção. João Fumaça é um dos melhores personagens do livro. Btw, o nome simples, objetivo e bem brasileiro é perfeito. (Também não dá pra esquecer a fofura daquele boneco do personagem que foi sorteado uns tempos atrás no blog do Romeu, de mesmo nome desse conto). Aqui, assim como no conto do Gian, os diálogos se destacam. E devo dizer que as palavras, expressões e pequenas frases em inglês foram cuidadosamente encaixadas sem que soasse pedante ou supérfluo. Mas como eu adoro um desastre, fico imaginando a dimensão dos danos que a arma (mais perigosa do mundo) teria causado se nosso herói João Fumaça não tivesse impedido&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O último conto é de <strong>Flávio Medeiros</strong>. <strong>“Por um Fio”</strong> não poderia ter um título mais adequado. A narrativa é intimista e histórica, ao mesmo tempo em que se sustenta por uma tensão militar que deixa a gente grudado até o desfecho. Fechou a coletânea de forma magistral.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Dados Técnicos:   </strong><br />
Autoria: Vários Autores – Org. Gianpaolo Celli<br />
ISBN: 978-85-61541-14-9<br />
Páginas: 184<br />
Formato: 14x21cm<br />
Ano: 2009</p>
<p style="text-align:justify;">A obra na <a href="http://www.tarjalivros.com.br/detalheprod.asp?produto=39" target="_blank">Tarja Livros</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/450/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=450&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/resenha-de-steampunk-historias-de-um-passado-extraordinario-da-tarja-editorial/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/steampunk-capa.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">steampunk.capa</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>International Noise em Sydney e minha humilde participação</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/international-noise-em-sydney-e-minha-humilde-participacao/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/international-noise-em-sydney-e-minha-humilde-participacao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 16:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=437</guid>
		<description><![CDATA[O International Noise é um grupo de artistas, com base em Sydney, que em colaboração local e internacional se utilizam de táticas de guerilla para trazer arte ao grande público. Esse ano o International Noise Artist Run foi convidado a exibir no Verge Festival da Universidade de Sydney. A base utilizada foi um contêiner posicionado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=437&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">O<strong> International Noise</strong> é um grupo de artistas, com base em Sydney, que em colaboração local e internacional se utilizam de táticas de guerilla para trazer arte ao grande público.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse ano o<strong> International Noise Artist Run</strong> foi convidado a exibir no <strong>Verge Festival</strong> da <strong>Universidade de Sydney</strong>. A base utilizada foi um contêiner posicionado na Avenida Eastern, no campus. Uma chamada para submissão de trabalhos atraiu obras do mundo inteiro, para uma exibição de rua num novo estilo, para uma nova audiência.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3807.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-446" title="IMG_3807" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3807.jpg?w=535&#038;h=356" alt="" width="535" height="356" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/2011-10-08_60.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-438" title="2011-10-08_60" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/2011-10-08_60.jpg?w=535&#038;h=803" alt="" width="535" height="803" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Cada centímetro de espaço no exterior do contêiner foi coberto com fotocópias em A3 dos trabalhos submetidos, numa maravilhosa cacofonia visual, de cima a baixo, frente e reverso, em cada superfície possível. O resultado final se assemelha aos muros de uma cidade com camadas e camadas de posters, mas que dessa vez eram camadas e camadas de arte das mais diversas vertentes.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3748.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-439" title="IMG_3748" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3748.jpg?w=535&#038;h=356" alt="" width="535" height="356" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3762.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-440" title="IMG_3762" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3762.jpg?w=535&#038;h=356" alt="" width="535" height="356" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Em contraste com essa anarquia visual num primeiro espanto, um grupo cuidadosamente seleto de imagens foi instalado dentro do contêiner, em tamanho A1, numa exibição mais formal. A divisão do espaço com visuais tão contrastantes camuflou o contêiner num caos e beleza peculiares.</p>
<div id="attachment_441" class="wp-caption aligncenter" style="width: 545px"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3795.jpg"><img class="size-full wp-image-441" title="IMG_3795" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3795.jpg?w=535&#038;h=802" alt="" width="535" height="802" /></a><p class="wp-caption-text">Nomes dos artistas participantes. Olha eu ali em Sydney, mãe!</p></div>
<p style="text-align:justify;">Particularmente, eu adoro o resultado de trabalhos em fotocópia. O preto-e-branco unido à película marginal que a fotocópia empresta transforma o desenho, pintura, colagem ou fotografia não apenas numa representação bidimensional, mas num grito de rua. Sem falar que é barato, popular, acessível. Foge do ranço acadêmico das galerias, do cubo branco estéril, que tanto afasta e intimida as pessoas. Nada mais subversivo e delicioso do que você andar pela calçada e tropeçar numa obra de arte.</p>
<p>Eu participei com esses dois trabalhos:</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.kawek.com.br/alliah-14665" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-442" title="Moda - pequeno" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/moda-pequeno.jpg?w=535&#038;h=758" alt="" width="535" height="758" /></a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://www.kawek.com.br/alliah-14665"><img class="aligncenter size-full wp-image-443" title="Cavalo - pequeno" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/cavalo-pequeno.jpg?w=535&#038;h=380" alt="" width="535" height="380" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Aproximadamente 150 trabalhos foram submetidos, de várias partes do mundo, incluindo Brasil e Estados Unidos.</p>
<div id="attachment_444" class="wp-caption aligncenter" style="width: 545px"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3805.jpg"><img class="size-full wp-image-444" title="IMG_3805" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3805.jpg?w=535&#038;h=356" alt="" width="535" height="356" /></a><p class="wp-caption-text">Onde está Wall-E? Quem conseguir achar meus trabalhos ganha uma bala de tamarindo.</p></div>
<p style="text-align:justify;">Para mais fotos, clique <a href="http://www.valentinaschulte.com/?p=739" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p style="text-align:justify;"><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/international-noise-em-sydney-e-minha-humilde-participacao/"><img src="http://img.youtube.com/vi/d7DH96LvEjI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/437/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=437&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/10/04/international-noise-em-sydney-e-minha-humilde-participacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3807.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">IMG_3807</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/2011-10-08_60.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">2011-10-08_60</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3748.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">IMG_3748</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3762.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">IMG_3762</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3795.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">IMG_3795</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/moda-pequeno.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Moda - pequeno</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/cavalo-pequeno.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Cavalo - pequeno</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/10/img_3805.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">IMG_3805</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O reductio ad absurdum da estupidez</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/28/o-reductio-ad-absurdum-da-estupidez/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/28/o-reductio-ad-absurdum-da-estupidez/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Sep 2011 20:54:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=434</guid>
		<description><![CDATA[Não sei se fico impressionada, assustada ou simplesmente me escangalho de rir com certas reações e argumentos. Essa discussão toda sobre o aborto fez muita gente surgir dos confins da ignorância pra sair dizendo por aí que a legalização criaria uma festa abortiva. Gente falando que as mulheres engravidariam sem parar, assim, seguidamente e incansavelmente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=434&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/stupid-people.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-430" title="stupid people" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/stupid-people.jpg?w=535" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Não sei se fico impressionada, assustada ou simplesmente me escangalho de rir com certas reações e argumentos. Essa discussão toda sobre o aborto fez muita gente surgir dos confins da ignorância pra sair dizendo por aí que a legalização criaria uma festa abortiva. Gente falando que as mulheres engravidariam sem parar, assim, seguidamente e incansavelmente, só porque poderia dar um pulinho ali e tirar o embolorado celular parasitando o útero. Como se a legalização tornasse o procedimento obrigatório ou fizesse virar moda. Porque, claro, a mulherada realmente não tem mais nada pra fazer a não ser engravidar só de sacanagem.</p>
<p style="text-align:justify;">É a mesma linha de pensamento de gente que se apavora com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Alguns têm lá seus motivos estúpidos religiosos. (Totalmente ridículos e passíveis de desconstrução em meio minuto de lógica). Mas tem gente que parece realmente ter medo da coisa. Como se após a legalização do casamento gay, os heterossexuais tivessem que andar na rua com cautela porque <em>“aimeudeus, e se um gay pular em cima de mim e resolver casar comigo?”</em>.</p>
<p style="text-align:justify;">O mesmo de aplica às drogas. Sou a favor da legalização. A discussão aqui é muito mais complexa do que a questão do aborto ou do casamento gay. (Qualquer dia escrevo algo focando o assunto por aqui). Um dos pontos mais levantados por quem é contra, é a ideia de que a legalização vai fazer com que TODO MUNDO vire um viciado irrecuperável. Bem, álcool é liberado e conheço uma pá de gente que não bebe. Outra pá de gente que bebe só de vez em quando. E mais uma pá que bebe pra cacete (um beijo pra mim), mas se controla. Quanto ao cigarro e outras substâncias fumáveis (não gosto de nenhuma delas, acho nojentinho, fedorento e meio patético), dá pra contar nos dedos quem não usa. Mas quem usa sai no prejuízo financeiro ou se arrisca (no caso das drogas ilícitas), sem falar que financia o tráfico e a morte de gente inocente. A questão é: legalizar não torna obrigatório. Cabe um programa educacional pra alertar prós e contras. É bom senso, conhecimento e organização. Cachimbo não é proibido e eu só conheço UM ser humano que fuma essa bagaça.</p>
<p style="text-align:justify;">De volta ao aborto, se você é contra a legalização, por favor, me apresente argumentos inteligentes. Ainda não me deparei com nenhum. E, mais uma vez, devo dizer, não apareçam com <em>“É assassinato!”</em>, <em>“Você vai tirar uma vida!”</em>, e blábláblá. Se vamos entrar no mérito biológico da coisa, deixa eu esclarecer algo. Se nem o conceito de espécie foi definido, muito menos o conceito de vida. Gente, sério, nem adianta começar aquela lengalenga de quando inicia a vida, no gameta, no feto, na formação do cérebro&#8230; Olha, peixes praticamente não existem de acordo com a sistemática filogenética e eu nunca vi uma ervilha amarela rugosa. Quer definir o que é vida? Vira cientista e morra tentando.</p>
<p style="text-align:justify;">A proibição do aborto é puro controle do corpo pelo Estado. É machista, é repugnante, é patriarcal. Fede a religião, a conservadorismo, a família tradicional, a direitona que chama feministas de feminazis.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/mujeres.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-432" title="mujeres" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/mujeres.jpg?w=535" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Legalização do aborto já!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/434/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=434&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/28/o-reductio-ad-absurdum-da-estupidez/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/stupid-people.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">stupid people</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/mujeres.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">mujeres</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A burqa proibida e questões sobre o corpo feminino</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/21/a-burqa-proibida-e-questoes-sobre-o-corpo-feminino/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/21/a-burqa-proibida-e-questoes-sobre-o-corpo-feminino/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Sep 2011 14:53:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=419</guid>
		<description><![CDATA[Hoje cedo li a matéria “France&#8217;s burqa ban: women are &#8216;effectively under house arrest&#8217;”, no The Guardian, falando sobre as consequências que a proibição da burqa trouxe para o dia-a-dia de mulheres islâmicas. A burqa, que cobre todo o corpo da mulher difere-se do niqab, que cobre apenas o rosto. Ambas são vestimentas tradicionais do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=419&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_422" class="wp-caption aligncenter" style="width: 470px"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/kenza-dride-who-opposes-t-007.jpg"><img class="size-full wp-image-422" title="Kenza-Dride-who-opposes-t-007" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/kenza-dride-who-opposes-t-007.jpg?w=535" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">&quot;Sou insultada três a quatro vezes por dia&quot; ... Kenza Dride Photograph: Anne-Christine Poujoulat/AFP</p></div>
<p style="text-align:justify;">Hoje cedo li a matéria <a href="http://www.guardian.co.uk/world/2011/sep/19/battle-for-the-burqa" target="_blank"><em>“France&#8217;s burqa ban: women are &#8216;effectively under house arrest&#8217;”</em></a>, no <em>The Guardian</em>, falando sobre as consequências que a proibição da burqa trouxe para o dia-a-dia de mulheres islâmicas. A burqa, que cobre todo o corpo da mulher difere-se do niqab, que cobre apenas o rosto. Ambas são vestimentas tradicionais do Islamismo, adotadas em variados países árabes. Seu uso pode ser obrigatório ou recomendado, e parte do princípio de que a mulher não deve exibir determinada parte do corpo (ou todo o corpo) em público.</p>
<p style="text-align:justify;">Com a proibição na França, defendida por gente que diz ser essa uma forma de “libertar” as mulheres de uma prisão religiosa, o que tem acontecido é uma onda crescente e escancarada de islamofobia. Num caso, Ahmas, de 32 anos, mãe divorciada de uma criança de apenas três anos, foi agredida na frente da filha. Um homem e uma mulher bateram em Ahmas no meio da rua, chamando-a de prostituta e a mandando voltar pro Afeganistão. As mulheres que desafiam a proibição e saem às ruas usando o niqab ou a burqa, não sabem se voltarão pra casa ilesas. São vítimas de agressão física e verbal e constantemente associadas à fanáticos terroristas, uma visão deturpada da religião islâmica que a grande mídia adora propagar.</p>
<p style="text-align:justify;">Não vou dizer que acho uma maravilha o costume de cobrir o corpo, porque não acho. Não apoio religião nenhuma. Sou ateia e, IMHO, todas as religiões são danosas à sociedade. Porém, a proibição encarcera essas mulheres tanto quanto a própria burqa. O corpo feminino não é censurado e castigado apenas na cultura islâmica. Olhemos pra nossa própria cultura. Homens são livres para andar pelas ruas sem camisa. Mas se as mulheres fizerem o mesmo, é atentado ao pudor. Os seios femininos são censurados. A não ser no Carnaval. E quem acha sensato mulheres não andarem por aí com os seios de fora porque seria uma ação erótica, precisa repensar seus conceitos de erotismo. A noção de corpo feminino nu em exibição que a maioria das pessoas possui, é a noção que a publicidade nos empurrou. Noção essa que a publicidade vem roubando das tradições da pintura a óleo européia há anos. Deixa eu puxar a sardinha pro meu lado agora. Vamos falar de arte e entender esse processo todo.</p>
<p style="text-align:justify;">Primeiro é preciso entender que a arte de qualquer período tende a servir aos interesses ideológicos das classes dominantes. O período da pintura a óleo tradicional pode ser estabelecido entre 1500 e 1900. A tradição, porém, ainda forma muitas de nossas pressuposições culturais. A tradição européia da pintura a óleo reduziu tudo à qualidade de objeto. Por que isso aconteceu? Essa técnica permite criar uma representação realista, no sentido de retratar a realidade com minúcia fotográfica. Assim, caiu como uma luva para retratar os símbolos de riqueza e poder dos que encomendavam os quadros. Pinturas de objetos valiosos, comida, nobres em roupas caras, todos esses assuntos possuíam o mesmo objetivo, deixar claro a riqueza do possuidor da obra e seu abastado estilo de vida. A mesma mensagem estendia-se para pinturas que retratavam construções ou largas faixas de terra, como campos e plantações, por exemplo, e seus proprietários, numa pose de ar superior em primeiro plano. Mais uma vez a questão da superioridade de classe através da posse, dessa vez, de propriedade.</p>
<div id="attachment_420" class="wp-caption aligncenter" style="width: 545px"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/susanah.jpg"><img class="size-full wp-image-420" title="susanah" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/susanah.jpg?w=535&#038;h=406" alt="" width="535" height="406" /></a><p class="wp-caption-text">Susannah e os Velhos, por Tintoretto</p></div>
<p style="text-align:justify;">O nu da pintura a óleo era feminino, e esse feminino era subserviente e objetificado. A mulher era retratada para servir ao deleite do expectador, sempre masculino. Por isso, constantemente, a mulher está olhando para o observador da pintura. Suas poses passivas são sinais do que se pode ou não fazer com o seu corpo. Ela não existe por ela mesma, mas em função de algo ou alguém, sempre a figura masculina. Se um homem é retratado num nu feminino, majoritariamente ele é retratado incorporando sua dominação e exibindo do que ele é capaz e o que ele possui em termos materiais. Em muitas pinturas, o corpo nu de uma mulher é observado por um homem, reforçando a noção de que ela está ali para ser observada. Homens observam mulheres. E mulheres observam-se sendo observadas. Estar nua é ser observada despida por outros e não ser reconhecida por si mesma. O nu está condenado a nunca estar despido. Essa nudez é uma forma de vestimenta.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/publicidade-e-arte.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-421" title="publicidade e arte" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/publicidade-e-arte.jpg?w=535" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">O corpo feminino objetificado e capitalizado dessa maneira na pintura a óleo, foi incorporado na publicidade, que roubou não só o nu da tradição européia, mas todos os outros aspectos da pintura a óleo. A diferença é que, na pintura, o que era retratado eram as posses que o rico já possuía. Na publicidade, a retratação é sobre o que você deveria possuir. O corpo-objeto feminino está na publicidade também para ser subserviente, passivo, e direcionado a um observador masculino. E é assim que nosso olhar foi adestrado para perceber a mulher. Como não existente por ela mesma, mas para servir a propósitos alheios. É daí que parte o ato de culpar uma vítima de estupro pelo crime que sofreu e isentar o estuprador como mero escravo de suas necessidades. Culpa-se a mulher por exibir-se, porque se acredita que ela se veste e age exclusivamente para um observador. O corpo exposto publicamente é erotizado de maneira pejorativa, porque é assim que nossa percepção adestrada e deturpada o enxerga. Por isso a maioria das pessoas acharia um absurdo uma mulher andar pelas ruas com os seios de fora. É uma questão cultural (que engloba a questão religiosa, que engloba a questão política e por aí vai) e de adestramento da percepção. Antigamente era espantoso a mulher mostrar o tornozelo em público. Ou vestir calças.</p>
<p style="text-align:justify;">Alguém pode falar <em>“Mas até parece que você não ia se espantar vendo gente pelada por aí toda hora”</em>. Bem, eu vejo gente pelada por aí toda hora, estudo numa Escola de Belas Artes, faz parte das minhas aulas. Mas na academia o olhar é outro.</p>
<p style="text-align:justify;">Falando de percepção, a nossa, além de ser adestrada pelo que nos ensinam, é também automatizada. Quantas vezes você sobe uma escada parando a cada degrau para verificar se o próximo degrau é falso? Ninguém faz isso. Nós subimos uma escada automaticamente. Um degrau falso nos seria totalmente invisível. Enxergamos apenas aquilo a que fomos ensinados a enxergar. E é desse automatismo que surgem os contrastes, como a obsolescência. Uma loja de eletrônicos com monitores de tela plana na vitrine não nos chama a atenção. Mas se no meio deles tiver um monitor antigo de tubo catódico, imediatamente nosso olhar para. Assim como a obsolescência, algo que vai contra nosso olhar adestrado, nos espanta. Se virmos uma mulher andando na rua com uma burqa, vamos olhar, apontar, comentar com o amigo, talvez rir ou desaprovar. Outros vão mais longe, e vão abordar a mulher e até mesmo agredi-la. Se virmos uma mulher de seios de fora em público, a gama de reações será a mesma. E isso se estende para qualquer imagem ou comportamento que fuja de nossa percepção adestrada, de nosso olhar deturpado pela publicidade, de nossos preconceitos culturais.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem realmente se preocupa com a condição das mulheres em culturas religiosas e radicais, poderia deixar as muçulmanas vivendo na França em paz e se transtornar com questões mais sérias, como as paquistanesas que tem o rosto desfigurado por ácido quando desobedecem a seus maridos e familiares ou apenas rejeitam a proposta de um homem.</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/pakistani-acid.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-424" title="Pakistan Domestic Violence" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/pakistani-acid.jpg?w=205&#038;h=300" alt="" width="205" height="300" /></a></p>
<p style="text-align:justify;">Essa na foto é Saira Liaqat, de 26 anos. Aos 15 anos, ela era casada. O marido queria que ela fosse viver com ele, mas as duas famílias haviam concordado que isso aconteceria apenas depois dela terminar a escola. Ele não concordou e jogou ácido no rosto da esposa. Ela passou por nove cirurgias plásticas para tentar se recuperar das cicatrizes.</p>
<p style="text-align:justify;">Para conhecer outras histórias de outras mulheres covardemente agredidas, acesse esse <a href="http://www.tampabay.com/blogs/alleyes/2009/11/terrorism-thats-personal.html" target="_blank">link</a>. Aviso que as fotos são bastante perturbadoras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/419/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=419&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/09/21/a-burqa-proibida-e-questoes-sobre-o-corpo-feminino/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/kenza-dride-who-opposes-t-007.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Kenza-Dride-who-opposes-t-007</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/susanah.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">susanah</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/publicidade-e-arte.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">publicidade e arte</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/09/pakistani-acid.jpg?w=205" medium="image">
			<media:title type="html">Pakistan Domestic Violence</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Mil Sóis</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/07/14/mil-sois/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/07/14/mil-sois/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 23:27:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Realismo Fantástico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=387</guid>
		<description><![CDATA[Seu rosto jovem escondia-se sob camadas revoltas de pele escura derretida. Como magma borbulhante e vaporoso que se contorcera e se petrificara em ondulações e sulcos descarnados. O olho esquerdo vazado e fechado pendia numa protuberância medonha. O direito, miúdo e amedrontado, vasculhava as ruínas desoladas que se apresentavam em matizes descoloridas. Cinzas caíam como [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=387&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Seu rosto jovem escondia-se sob camadas revoltas de pele escura derretida. Como magma borbulhante e vaporoso que se contorcera e se petrificara em ondulações e sulcos descarnados. O olho esquerdo vazado e fechado pendia numa protuberância medonha. O direito, miúdo e amedrontado, vasculhava as ruínas desoladas que se apresentavam em matizes descoloridas. Cinzas caíam como neve, num branco falso fedendo a abandono. A mulher levantou-se com muito custo, espalmando a poeira salpicada de sangue da calça shalwar. O vermelho vibrante adornado com floreios amarelos e detalhes em azul da túnica kameez destacava-se envergonhado.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao longe, ruídos secos de passadas, estalos metálicos de gatilhos e o ribombar de explosões distantes ecoavam no céu nublado, por vezes lacerado repentinamente pelo voo de algum avião, costurando mísseis e fumaça. A paquistanesa andou até as imediações de uma loja e abaixou-se na calçada para pegar um caco de vidro. Seus pés nus eram castigados pelos detritos amontoados sobre inúmeros corpos e ossadas enegrecidas. Olhando-se no reflexo do vidro espelhado, mirou seu olho direito e passou os dedos queimados na pálpebra e no canto do olho, ajeitando a pintura do lápis preto com minúcia. Com um estremecimento, encarou-se com o buraco torto que destruíra seu nariz, deixando-a com um aspecto cadavérico. Puxou o véu do pescoço e enrolou-o na cabeça.</p>
<p style="text-align:justify;">A jovem mutilada era a única manifestação de algo vivo em meio àquele espectro solidificado de terror. À frente, uma mesquita de paredes manchadas erguia-se decrépita, com a cúpula tombada de lado, exibindo a carcaça de sua estrutura interna como um esqueleto arquitetônico alquebrado. Um helicóptero militar perfurado e parcialmente carbonizado chocara-se e prendera-se no topo do minarete. As hélices ainda giravam lentamente, num arrastar ferroso. Pendendo da cabine, o corpo de um soldado balouçava ao vento. A paquistanesa desviou o olhar do cadáver inchado, lembrando-se do rosto colérico e ensandecido do noivo, quando ele lhe agarrara pelos braços e jogara ácido em seu rosto. Aquilo foi pouco depois dela ter anunciado que se recusava a casar. E pouco antes dos primeiros bombardeios atingirem o vilarejo rural.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela não se lembrava com clareza dos eventos que se sucederam. O fulgor das chamas e os gritos de desespero das pessoas haviam sobrecarregado suas percepções. Apenas lembrara-se de fugir para a cidade em busca de uma rota de fuga pra Índia, seguindo as indicações de um primo. Mas a última vez que o vira, foi quando o paquistanês teve o peito alvejado e o corpo chutado pra fora do caminho dos tanques. Depois, tudo se resumiu a gás, botas e mãos emborrachadas esmagando olhos e sufocando bocas. Quando acordou, já estava largada nessa desolação de sangue e concreto. O silêncio camuflado fazia parecer que estava debaixo d’água, imersa numa realidade paralela.</p>
<p style="text-align:justify;">Pensou em esconder-se na mesquita, esperar um resgate que nunca chegaria, ou deixar o organismo perecer, entregue à sorte dos ignorados. Mas quando estava cruzando a rua, viu um vulto assomar-se por trás de alguns carros virados. Os contornos magros e frágeis surgiram em contraste com o emaranhado de pneus e canos que defloravam as carcaças. Parecia que arrastava um clarão atrás de si, que ia crescendo vertiginosamente numa coloração avermelhada, dilatando-se como uma gigantesca estrela. A pele amarelada, os tufos disformes de cabelo esbranquiçado nas laterais da cabeça e as rugas acumulando-se nos cantos dos olhos passariam despercebidos se o senhor que se aproximava não estivesse sorrindo. Um sorriso de mil sóis. As vestimentas rasgadas e surradas mal cobriam seu corpo curvado, recheado de feridas ainda ardentes e pulsantes. Ela amparou-o com delicadeza, apoiando-o em seus braços. Ele agarrou-se em suas roupas de seda. A paquistanesa podia sentir a radiação emanando daquele corpo velhaco e condenado, como linhas de calor que mancham nossa lucidez num deserto. Não trocaram palavras, apenas abraçaram-se.</p>
<p style="text-align:justify;">Seus corpos foram ofuscados e suas sombras negras ficaram marcadas contra a parede da mesquita como uma silhueta orgânica. Macabro desenho de suas vontades nunca realizadas e de seus passados vaporizados.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/387/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=387&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/07/14/mil-sois/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Resenha de &#8220;Crônicas de Atlântida &#8211; O tabuleiro dos deuses&#8221;, do autor Antonio Luiz M. C. Costa</title>
		<link>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/06/09/resenha-de-cronicas-de-atlantida-o-tabuleiro-dos-deuses-do-autor-antonio-luiz-m-c-costa/</link>
		<comments>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/06/09/resenha-de-cronicas-de-atlantida-o-tabuleiro-dos-deuses-do-autor-antonio-luiz-m-c-costa/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 09 Jun 2011 19:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alliah</dc:creator>
				<category><![CDATA[Resenha]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://evisceradoanacronico.wordpress.com/?p=376</guid>
		<description><![CDATA[Imersão. Sabem o que é isso? O artigo &#8220;A Gamer&#8217;s Manifesto&#8220; do Cracked.com explicou e exemplificou com maestria. A imersão ocorre quando sentimos que estamos totalmente mergulhados naquilo que está nos entretendo. Em video games assumimos a identidade do personagem que controlamos. Viramos mercenários intergalácticos, soldados na II Guerra Mundial ou atletas olímpicos. E parte [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=376&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Imersão. Sabem o que é isso? O artigo &#8220;<strong><a href="http://www.cracked.com/article_15748_a-gamers-manifesto.html" target="_blank">A Gamer&#8217;s Manifesto</a>&#8220;</strong> do <em>Cracked.com</em> explicou e exemplificou com maestria. A imersão ocorre quando sentimos que estamos totalmente mergulhados naquilo que está nos entretendo. Em video games assumimos a identidade do personagem que controlamos. Viramos mercenários intergalácticos, soldados na II Guerra Mundial ou atletas olímpicos. E parte disso é bruscamente estilhaçado com um soco na cara quando nosso mercenário intergaláctico fica preso num corredor de destroços, sem poder ultrapassar pedras de meio metro de altura porque NÃO EXISTE COMANDO PARA O PERSONAGEM PULAR. É nessa hora que desce aquele balde de água fria e você volta a sentir que está segurando um controle, e não uma M-16. Experiências frustrantes ocorrem com frequência no mundo gamístico. Paredes invisíveis em pleno ar, vidros inquebráveis, objetos que quando são alvejados não são destruídos, mas decorados com inúmeros pontinhos pretos desfocados,&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Mas agora você deve estar se perguntando pra que diabos essa volta toda sobre jogos pra começar uma resenha sobre um livro. Bem, o conceito de imersão se aplica na literatura também. Quando o livro é bom, ele te engole e você esquece que não tá sentado no quarto com um bolo de papel encadernado em mãos, mas sente como se andasse pelo cenário e interagisse com os personagens, ou fosse um deles, ou apenas os observasse dos céus, como uma divindade onisciente. Já quando o livro possui falhas na narrativa, é como se você tivesse no controle de um carro tunado e, ao sair da pista numa derrapada, o veículo batesse num muro invisível nos limites gráficos do cenário. Ar não é sólido. E o comportamento X do personagem Y é absurdamente improvável. Esses escorregões são mais fáceis de ocorrer num livro que possui um universo fantástico complexo e detalhado, mas felizmente não é o que acontece em “Crônicas de Atlântida”, que é imersão praticamente do começo ao fim.</p>
<p style="text-align:justify;">Bem no comecinho senti que talvez essa imersão pudesse ser prejudicada, devido aos variados sufixos de tratamento empregados. Era Kopinani-ar pra cá, Palmi-bã pra lá, Zindé-bin, Tiakat-xin, Tiakat-ké,&#8230; Mas rapidamente me acostumei e o fluxo de leitura não foi prejudicado. Os sufixos são explicados ao longo da narrativa, sem que fique maçante ou que cause alguma digressão. O mesmo ocorre com as nomenclaturas de pesos e medidas: Ag (aproximadamente quinze minutos), estádio (201,1 metros), sê (2 horas), e por aí vai.  Em último caso, se você se esquecer de algo ou se confundir, é só consultar a <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=P%C3%A1gina_principal" target="_blank"><strong>Enciclopédia Crônicas de Atlântida</strong></a>, um compêndio virtual de todo o mundo de Kishar, vasto universo onde se passa a aventura.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes de comentar a história em si, devo falar dessa bela capa, de autoria do Erick Sama:</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/398px-capacronicas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-377" title="Capa" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/398px-capacronicas.jpg?w=535" alt=""   /></a></p>
<p style="text-align:justify;">A ilustração nos remete a pinturas de murais ou gravuras. (Aliás, acho que se fossem litografias coloridas, daria um bom anacronismo para o ambiente fantástico da história). As cores chapadas, em sua maioria suaves, e deixando transparecer a textura de pedra no fundo, em conjunto com linhas fortes e padrões geométricos criou um bonito convite de boas vindas ao universo do livro. Os tons usados na capa serviram de paleta de cores para o filme imaginário que se passou na minha cabeça conforme eu avançava na leitura.</p>
<p style="text-align:justify;"> Agora vem a parte onde eu começaria a fazer um breve resumo do plot, pontuando o que mais se destacou e analisando eventuais erros, tudo assim IMHO. Mas como toda boa não-resenhista-e-apenas-leitora-comentarista, vou seguir por um caminho um pouco diferente. Eu poderia simplificar dizendo que a aventura gira sobre jovens apaixonados e idealistas que possuem ambições ingênuas e são pegos de surpresa num jogo estratégico arquitetado pelos deuses numa rede de intrigas políticas. Porém muitas histórias se encaixam nessa descrição, então vamos partir para o que interessa: os personagens marcantes e os aspectos que diferenciam esse livro dos outros.</p>
<div id="attachment_378" class="wp-caption aligncenter" style="width: 483px"><a href="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/800px-kishar_2702dfa.png"><img class="size-full wp-image-378  " title="800px-Kishar_2702dFA" src="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/800px-kishar_2702dfa.png?w=535" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Kishar em 2702 dFA (depois da fundação de Atlântida)</p></div>
<p style="text-align:justify;">Você vai começar conhecendo <strong>Tiakat</strong>, uma <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Keci%C3%B3s" target="_blank"><span style="text-decoration:underline;">keciós</span></a> <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Tlavatli" target="_blank"><span style="text-decoration:underline;">tlavatli</span></a>, xamã talentosa e de forte personalidade. É espontânea, impulsiva, passional, corajosa e muito bem resolvida com sua bissexualidade. No começo da história, ela estava envolvida com dois amantes homens, mas logo a relação é terminada e ela passa a se envolver com o outro protagonista, seu amigo <strong>Sistu</strong>.</p>
<p style="text-align:justify;">Zi Temtés Sistu é um <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Quanci%C3%B3s" target="_blank">quancióis</a> <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Senzar" target="_blank">senzar</a>.<strong> </strong>É alto, forte, atlético e muito atraente. Possui um leve talento para a magia, mas suas habilidades maiores são no combate físico. Apesar dessa aparência bruta, é um jovem intelectual interessado em história e política. Sistu e Tiakat constituem o casal apaixonado da história, mas que ao longo da aventura deixa de ser casal e vira um triângulo amoroso, com a entrada na relação de <strong>Tjurmyen</strong>, uma barda <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Hinci%C3%B3s" target="_blank"><span style="text-decoration:underline;">hinciós</span></a> <a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Mugal" target="_blank"><span style="text-decoration:underline;">mugal</span></a> de grande talento mágico e artístico.</p>
<p style="text-align:justify;">Adiantei-me aqui para poder comentar desse poliamorismo. Relações não-convencionais são um atrativo na história. Não são necessariamente de amor livre, mas de poliamor. (Sim, existe uma diferença. No poliamor ainda existe um contrato de exclusividade afetivo-sexual, mesmo que seja entre três, quatro, cinco, seis ou sei lá quantas pessoas). Apesar de ter gostado bastante do desenrolar desse relacionamento a três, algumas vezes achei que faltou mais atrito. Por mais bem resolvidos que todos eles sejam (na verdade, só Sistu e Tiakat, porque Tjurmyen possui um passado conturbado e seus próprios demônios interiores com os quais lutar), tudo dando certo praticamente o tempo todo não me pareceu muito convincente. Mas é um detalhe que acaba passando batido, de tão carismáticos que os três são.</p>
<p style="text-align:justify;">Ainda no quesito relacionamento, uma característica interessante foi o tratamento dado às divindades e suas relações com os mortais. Aqui, os deuses não são seres etéreos e inalcançáveis que existem apenas em preces e oferendas. Como em toda boa mitologia de civilização antiga, os deuses são tão de carne e osso quanto os personagens mortais. Eles podem assumir formas variadas, ou possuir o corpo de alguém, e carregam seus próprios defeitos e qualidades. O panteão é extenso, na enciclopédia existem mais de 100 artigos sob essa categoria. Uma das divindades com participação principal no plot é <strong>Chiuknawat</strong>, ou <strong>Xeló</strong>, a deusa tlavatli da liberdade. Olhe pra capa do livro, à esquerda, ela é a negra de pinturas corporais brancas e avermelhadas. A divindade que oferece um contraponto à Xeló é <strong>Raan</strong>, deus do caos, da guerra e da destruição. Raan possui um culto secreto, do qual <strong>Odu Arpá</strong> faz parte. Arpá é um <a title="Pasciós" href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Pasci%C3%B3s">pasciós</a> senzar e <a title="Mentô" href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=Ment%C3%B4">mentô</a> do exército atlante. Inseparável de sua armadura, é aquele personagem facilmente detestável que incorpora o bandido da trama. Uma (pequena) parte que me chamou a atenção sobre Arpá foi ele possuir escravas sexuais, em termos BDSM mesmo, num jogo de dominações. Fico me perguntando quando lerei uma história em que o sadomasoquismo apareça do lado dos mocinhos, e não dos bandidos. Mas aqui o contexto dificilmente deixaria isso acontecer, porque na hierarquia social do universo de Atlântida, existem servos (nuciós), escravos (rarciós) e até mesmo não-pessoas (varciós). Mesmo que a sexualidade dos personagens seja bastante livre, práticas BDSM não se encaixam em seus desejos. (Mas, mesmo que fugisse do plot, uma puxada nesse limite seria interessante de ver&#8230;).</p>
<p style="text-align:justify;">Outra divindade importante é <strong>Kintjur</strong>, que não é uma deusa, mas uma gênia, algo entre um elemental e um deus. Kintjur é protetora do amor lésbico e sua lenda é de uma suavidade e uma beleza admiráveis. Se sua curiosidade é grande e você quer saber dessa história antes de ler o livro, o texto da lenda está disponível <a href="http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/1849904" target="_blank"><span style="text-decoration:underline;">aqui</span></a>. Não se preocupe, <strong>não há spoilers</strong>, pode ler sem medo.</p>
<p style="text-align:justify;"> O fluxo de leitura do livro parece fluir como a vida de Tiakat e Sistu ao longo da trama, descompromissado primeiro, numa leveza divertida, e então adensando conforme a trama se espessa e vai ficando mais grandiosa.  Logo no começo vemos um Sistu que não quis se alistar, pois desejava ir à capital, <strong>Atlântis</strong>, procurar participação em alguma expedição de exploração das colônias ou de terras desconhecidas. Desde criança ele possuía curiosidade por kisharografia e historia. Tiakat, que acabara de passar de aprendiz à xamã plena, resolveu partir com Sistu, seguindo os conselhos de <strong>Kopinani</strong>, a xamã do distrito de Raltlor e tia de Tiakat. E é em Atlântis que, perseguindo seus ideias, o casal é confrontado com surpresas e intervenções misteriosas de divindades. É na capital que eles entram de fato no tabuleiro dos deuses e se recusam a agir como meros títeres.</p>
<p style="text-align:justify;">Dois cenários em particular me interessaram mais, dentre todo o esplendor de Atlântis. O primeiro é o bairro <strong>Sarna</strong>, um local miserável e marginal repleto de desregrados. É uma concentração de pobreza e prostituição, onde está grande parte dos <strong>soans</strong> livres. Soans são animorfos, homens-animais. (Não podem faltar animorfos num livro de fantasia!). O segundo cenário é o <strong>Sumidouro</strong>, a rede de esgotos de Atlântis. Esse subterrâneo labiríntico terá grande importância no episódio do Golpe de Estado e suas consequências, que não vou discorrer aqui porque me jogarão pedras pelos spoilers.</p>
<p style="text-align:justify;">Obviamente existe muito mais no livro que eu não comentei por aqui, senão o texto ficaria grande demais. Mas para sanar suas dúvidas e curiosidades, basta dar uma passeada pela Enciclopédia, que é bem detalhada e completa.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Crônicas de Atlântida</strong> nos apresenta um universo tão rico e instigante que, ao terminar a leitura, fica aquele gostinho de querer mais e mais. A interatividade de poder consultar uma enciclopédia online só torna tudo mais palpável. Sei que quem gosta de uma boa trama fantástica que não seja só porrada pra lá e pra cá, ou só romantismo, vai curtir essa história que se aprofunda em diversos aspectos sociais e políticos que dialogam com o nosso passado histórico. Além de garantir uma baita diversão pelos personagens carismáticos e situações bem desenvolvidas. Leitura além do entretenimento.</p>
<p><strong><em>Sobre o autor:</em></strong></p>
<p><strong><em>Antonio Luiz M. C. Costa</em></strong></p>
<p><em>Sempre gostou de literatura em geral e de fantasia e ficção científica em especial, mas formou-se em engenharia de produção e filosofia, fez pós-graduação em economia e trabalhou como analista de investimentos e assessor econômico-financeiro antes de reencontrar sua vocação na escrita, no jornalismo e na ficção. Hoje escreve sobre a realidade na revista CartaCapital e sobre a imaginação em outras partes, publicou a primeira antologia <strong><em>Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos</em></strong></em><em> </em><em>(2010), além de colaborar com os meios a seu alcance para o desenvolvimento da ficção especulativa no Brasil.</em></p>
<p><strong><em>Ficha:</em></strong></p>
<p><strong><em>Crônicas de Atlântida – O tabuleiro dos deuses</em></strong><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><em>Antonio Luiz M. C. Costa</em></strong><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><em>Páginas: 472</em></strong><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><em>ISBN: 978-85-62942-13-6</em></strong><strong><em></em></strong></p>
<p><strong><em>Preço: R$ 59,90</em></strong></p>
<p><strong><em>Links:</em></strong></p>
<p><a href="http://editoradraco.com/2011/04/04/cronicas-de-atlantida-o-tabuleiro-dos-deuses-de-antonio-luiz-m-c-costa/" target="_blank"><em>Editora Draco</em></a></p>
<p><a href="http://cronicasdeatlantida.com/enciclopedia/index.php?title=P%C3%A1gina_principal" target="_blank"><em>Enciclopédia Crônicas de Atlântida</em></a></p>
<p><a href="http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/1849904" target="_blank"><em>Lenda de <strong>Kintjur</strong> no Recanto das Letras</em></a></p>
<p><a href="https://twitter.com/#!/ALuizCosta" target="_blank"><em>Twitter de Antonio Luiz M. C. Costa</em></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/evisceradoanacronico.wordpress.com/376/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=evisceradoanacronico.wordpress.com&amp;blog=5341872&amp;post=376&amp;subd=evisceradoanacronico&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://evisceradoanacronico.wordpress.com/2011/06/09/resenha-de-cronicas-de-atlantida-o-tabuleiro-dos-deuses-do-autor-antonio-luiz-m-c-costa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://1.gravatar.com/avatar/dbad146e79f2699cda563b8fefec810c?s=96&#38;d=retro&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alliahart</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/398px-capacronicas.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Capa</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://evisceradoanacronico.files.wordpress.com/2011/06/800px-kishar_2702dfa.png" medium="image">
			<media:title type="html">800px-Kishar_2702dFA</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
