Meu eletroencefalograma é uma pintura de Pollock

Nós duas sentadas no chão do segundo andar. O teto do atelier lá no alto, listrado de céu. Final da aula mais lúdica que já provei. Desenhávamos. Apenas o ruído do grafite rabiscando o papel. Pernas à mostra.

Paz.

Cheiro de misturas de tinta gotejando nos cavaletes lá embaixo.

E um senso quase tangível de possibilidade.

Contemplafantasiação.

Neologizando sem concretizar. Mas incitando. Experiência estética. Pra lá de Platão, Aristóteles, Kant, Hegel e Maurice Blanchot.

A palavra nasceu do encontro da minha percepção fantasiada com seu corpo. Depois eu roubei e usei sem pedir licença. A palavra, não seu corpo. Diluí o significado primordial, que se dissolveu e evaporou.

Criações tem desses caprichos. Desenvolvem-se sozinhas. Uma vez descarnadas do artista, entregam-se aos subjetivismos do observador.

Teorias.

Prefiro a transfiguração.

E a problemática insolúvel da inquietação de meu expressionismo abstrato mental.

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